Você não sabe a hora: o que dá para ler mesmo assim
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Você procurou na certidão, perguntou em casa, ligou para o cartório, e nada. Acontece muito, principalmente antes dos anos oitenta: em muitas certidões a hora simplesmente não era anotada. A pergunta, então, deixa de ser onde procurá-la e passa a ser o que dá para ler sem ela.
A resposta curta: bem mais do que costumam dizer, e bem menos do que às vezes prometem.
O que continua de pé
A data e o lugar bastam para colocar cada planeta em seu signo. O Sol se move cerca de um grau por dia, então, a não ser que você tenha nascido justamente no dia em que ele muda de signo, seu Sol é seu Sol sem discussão. Com Mercúrio, Vênus e Marte acontece algo parecido. E de Júpiter para fora — Saturno, Urano, Netuno, Plutão — o movimento diário é tão pequeno que a hora não muda nada: Plutão leva uns catorze anos para atravessar um signo.
Ou seja: a pergunta "de que signo eu sou" e tudo o que se monta com os planetas por signo se responde igual, sem a hora.
A Lua é a exceção
A Lua percorre uns treze graus por dia, quase meio signo. Muda de signo a cada dois dias e meio, e aí sim a hora decide: se você nasceu no dia em que a Lua passou de um signo para outro, sua Lua depende de ter sido antes ou depois dessa passagem.
É fácil de conferir e vale a pena: calcule seu mapa só com a data, veja em que grau do signo a Lua ficou, e se estiver nos primeiros graus ou nos últimos, você está perto de uma borda. No meio do signo, tranquilo.
Aqui vai um detalhe técnico que preferimos dizer: quando não há hora, o ASTRA calcula as posições ao meio-dia UTC (o fuso que o mundo usa como referência: quando em Londres é meio-dia, em São Paulo são nove da manhã e em Madri, uma da tarde). Não é o meio-dia da sua cidade: é um ponto fixo para não inventar um. Para todo o resto tanto faz; para a Lua significa que a posição dela pode se deslocar alguns graus em relação à real. Por isso o mapa marca isso como aproximado, em vez de disfarçar.
O que você não vai ter
O ascendente e as doze casas saem da hora, não tem jeito: o horizonte percorre os 360 graus do zodíaco a cada 24 horas, então quatro minutos de diferença movem o ascendente um grau inteiro. Sem hora não há ascendente, e sem ascendente não há casas.
Os aspectos também não: o ASTRA não os desenha em um mapa sem hora. Poderia calcular os que existem entre planetas — que quase não dependem da hora — mas os que envolvem o ascendente ou o meio do céu seriam inventados, e um mapa em que alguns aspectos são reais e outros não é pior do que um mapa sem aspecto nenhum.
O que não convém fazer
Colocar 12:00 "por via das dúvidas". É o mais comum e é o pior: não deixa o mapa incompleto, deixa errado. Um ascendente calculado com uma hora inventada parece tão sólido quanto um real, com grau e minuto, e nada no mapa avisa que aquele dado é ficção. Depois essa leitura é compartilhada, guardada, citada.
Um mapa que diz "não sei a hora" é honesto. Um mapa com 12:00 posto a dedo afirma algo falso com cara de dado.
E se a hora aparecer depois
Aparece mais do que se imagina: um parente que lembra, uma caderneta, um hospital que ainda tem o registro. Quando isso acontecer, você calcula o mapa de novo com a hora e aí sim aparecem o ascendente, as casas e os aspectos completos. Nada do que você leu antes cai por terra: os planetas seguem nos mesmos signos. Só se soma a camada que faltava.
Calcule seu mapa sem a hora e veja o que ele diz. Não precisa se cadastrar para ver, e se a sua Lua ficou perto de uma borda, você vai saber olhando o grau.