Você não sabe a hora exata do seu nascimento: o que se perde e onde procurar
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Quase todo mundo sabe o dia em que nasceu. A hora já é outra história: sabe-se por aproximação, sabe-se a que alguém lembra, ou simplesmente não se sabe. E é o primeiro lugar onde um mapa natal trava, porque não é um dado decorativo.
O que a hora decide e o que não
A data e o lugar bastam para saber onde estava cada planeta naquele dia. Seu Sol, sua Lua, Mercúrio, Vênus, Marte: isso está resolvido sem a hora, com diferenças pequenas. A Lua é a que mais se move —muda de signo a cada dois dias e meio—, então se você nasceu perto de uma dessas mudanças, aí sim a hora decide.
O que só sai da hora é o ascendente: o grau do zodíaco que estava subindo pelo horizonte do lugar onde você nasceu, naquele minuto. E com o ascendente se ordenam as doze casas, que são o mapa de em que área da sua vida cai cada planeta.
Por isso duas pessoas nascidas no mesmo dia na mesma cidade, com horas diferentes, têm os mesmos planetas nos mesmos signos e uma leitura completamente diferente.
Quanto o ascendente anda em alguns minutos
A Terra dá uma volta sobre si mesma em 24 horas, então o horizonte percorre os 360 graus do zodíaco nesse tempo: cerca de um grau a cada quatro minutos.
Digo "cerca de" a sério. Nem todos os signos sobem na mesma velocidade: perto do equador a diferença é pequena, e quanto mais longe, mais se deforma. Há signos que ascendem em menos de uma hora e outros que levam mais de duas. Na prática: meia hora de erro pode mudar o seu ascendente de signo, e uma hora arredondada ao acaso transforma isso em cara ou coroa.
Onde está a sua hora exata
Do mais confiável ao menos:
- A certidão de nascimento. É o documento onde a hora foi anotada na hora, e não de memória. Em muitos países ela consta ali; em outros não é registrada. É o primeiro lugar para olhar.
- Papéis do hospital ou da maternidade. Pulseiras, resumo de alta, a caderneta da criança. Costumam aparecer em caixas que ninguém abre há vinte anos.
- Quem estava lá. Perguntar funciona, mas pergunte bem: em vez de "que horas eu nasci?" —que quase sempre devolve uma hora redonda— tente perguntar o que estava acontecendo em volta. Se era dia ou noite, se já tinham almoçado, se chegaram a tempo ou de madrugada. Uma hora reconstruída assim costuma ser mais honesta do que uma lembrada.
Se não aparecer em lugar nenhum
Não é o fim do caminho, e aqui convém ser claro em vez de vender fumaça.
Você pode gerar o seu mapa mesmo assim. Os planetas e seus signos vão estar certos, e isso já é a maior parte do que se lê. O que você não vai poder levar a sério é o ascendente nem as casas: não os ignore, apenas não construa nada em cima.
A convenção habitual quando não há hora é usar o meio-dia, porque reduz ao mínimo a margem de erro da Lua. Não é o seu ascendente: é um mapa honesto sobre o que não sabe.
E se um dia o dado aparecer, você gera de novo. O mapa não vence.
Antes de preencher
Duas coisas que passam despercebidas e estragam uma hora que era exata:
- O lugar, não o país. As casas são calculadas com as coordenadas da cidade. Colocar a capital quando você nasceu a trezentos quilômetros muda o cálculo.
- A hora que consta, não a corrigida. Coloque a hora tal como foi anotada, sem ajustá-la você mesmo por horário de verão ou mudanças de fuso. Isso o cálculo resolve com a data e o lugar; se você corrigir à mão, corrige duas vezes.
Se você já tem a hora, é um minuto: preencha data, hora e lugar e veja onde cai o seu ascendente.
E se ficou a dúvida sobre o que é exatamente o ascendente que a hora define, isso está na outra nota: Sol, Lua e Ascendente: três coisas que não são a mesma.